9º ENASERV debate oportunidades e gargalos para a exportação de serviços no país

osé Augusto de Castro, presidente da AEB
José Augusto de Castro, presidente da AEB

Guerra comercial, custos tributários, financiamento de exportações e transformação digital foram temas da pauta de discussões

A guerra comercial entre Estados Unidos e China trará impactos negativos para o Brasil, declarou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, durante a abertura do 9º Encontro Nacional de Comércio Exterior de Serviços (ENASERV), realizado ontem, 10 de abril, em São Paulo. “As exportações brasileiras estão centradas em commodities, atingidas diretamente pelas desavenças entre as duas potências mundiais”, afirmou Castro. Para ele, o Brasil precisa aumentar a exportação de serviços, que tem maior valor agregado, e responde hoje por 73% do PIB brasileiro, embora apenas 25% desse total seja resultado da exportação. “É necessário que o país faça reformas estruturais para que não esteja fadado a ser apenas um país exportador de commodities”, sentenciou Castro.

A diretora de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Marcia Nejaim Galvão de Almeida, disse que as exportações globais de serviços movimentam US$ 4,8 trilhões, mas o Brasil, mesmo o sendo o principal exportador da América Latina, ainda contribui muito pouco para esse montante. Ela destacou, no entanto, que o país vem se destacando na exportação de serviços de vários segmentos, como games, arquitetura, cultura e conteúdo audiovisual. Como exemplo, citou a série 3%, veiculada pela Netflix, que foi a série de língua não inglesa de maior audiência da plataforma de video on demand.

A atração de investimentos nessas áreas de destaque, citadas pela representante a Apex Brasil, é um grande desafio para os exportadores de serviços, mas que pode ser superado, segundo o superintendente da Área de Comércio Exterior e Fundos Garantidores do BNDES, Leonardo Pereira Rodrigues dos Santos. Ele afirmou que a instituição está desenvolvendo um projeto de financiamento para pequenas e médias empresas exportadoras de serviços com o objetivo de alavancar o setor.

O vice-presidente da Fecomércio, Rubens Medrano, ressaltou que oportunidades de financiamento são necessárias, mas não bastam para o desenvolvimento de empresas exportadoras de serviços. Ele lembrou da importância do investimento em pesquisa e desenvolvimento para que a presença do Brasil seja marcante no comércio internacional, tornando possível a criação de serviços de alto valor agregado.

Para a secretária executiva do Ministério da Indústria e Comércio, Yanna Dumaresq Sobral, o setor de serviços é fundamental para dinamizar a economia brasileira. “Ele é responsável por 67% das vagas formais de trabalho e contribui para a competitividade nos demais setores da economia”, destacou, lembrando da importância dos serviços na indústria 4.0 e na manufatura avançada. “Os serviços agregados, altamente tecnológicos, podem proporcionar um salto de produtividade e de competitividade que revolucionará a economia”, disse Yanna. “Novos modelos de negócios vão surgir para fazer frente a essa nova realidade, tornando o setor muito mais dinâmico”. A secretária executiva do MDIC alertou que o Brasil tem que abrir mais a economia. “O Brasil precisa se integrar ao resto do mundo, ampliar sua participação em cadeias globais de valor, na qual o setor de serviços tem um papel protagonista”, observou.

“Há muitas oportunidades na área de tecnologia, telecom e inovação”, afirmou André Echeverria, diretor de Inovação e Transformação Digital da Brasscom. “A exportação de serviços nesses segmentos saltou de R$ 0,9 bi (2011) para R$ 7 bi (2017) e o Brasil vem se consolidando como um dos principais mercados de TI”, disse ele. “Mas é preciso mais investimentos, pois isso tem impacto direto na competitividade do país”, completou.

Carlos Lira, da Embraer, afirmou que o investimento em pesquisa e desenvolvimento promove resultados práticos. Ele conta que a empresa tem mais de 5 mil funcionários em P&D, com o objetivo de aumentar a competitividade da empresa na fabricação e manutenção de aeronaves no país e no exterior. “Hoje estamos presentes nos EUA, na Europa, na Ásia e no Brasil”, disse ele. E completou: “Só conseguimos esse resultado aplicando e desenvolvendo serviços de tecnologia.”

Fernando Saraiva, da IHM Stefanini, falou sobre como as tecnologias disruptivas podem transformar o negócio de grandes empresas. Ele citou como exemplo dispensers de papel toalha e papel higiênico que utilizam conectividade IoT para monitorar o consumo dos suprimentos e para disparar pedidos de compra e reposição quando necessário. “A indústria 4.0 já está aí, tem um crescimento exponencial, e o Brasil tem muita gente boa fazendo coisa boa, em um ambiente com capacidade tecnológica sem igual. Nós nos habituamos a criar no caos, e as soluções que saem disso são inacreditáveis”, avaliou.

Paulo Brechbühler, da Brechbühler Consultoria, observou que o Brasil está entre os 14 países que podem competir no mercado de exportação de serviços de engenharia, mas que está em uma espécie de hiato depois dos escândalos envolvendo as grandes construtoras. Ele mostrou ainda a cadeia produtiva de um projeto de engenharia no exterior. “Precisamos colocar mais empresas para exportar se ainda quisermos estar entre os principais exportadores e voltar a gerar empregos”. Estados Unidos, Canadá, América Latina e Caribe, África e Oriente Médio estão entre os principais destinos das exportações brasileiras de serviços de engenharia.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Transformação digital e custos tributários na exportação de serviços são discutidos em evento de comércio exterior

José Augusto de Castro, presidente da AEB
José Augusto de Castro, presidente da AEB

9º ENASERV reúne 800 empresas em São Paulo para debater como criar oportunidades para a exportação de serviços no país

A transformação digital tem papel fundamental na exportação de serviços em tecnologia da informação e telecomunicações do país. Durante o 9º ENASERV, encontro de nacional de comércio exterior que acontece em São Paulo nesta terça-feira (10), especialistas discutiram sobre as oportunidades e desafios que a transformação digital proporciona para os exportadores de serviços. “Há muitas oportunidades na área de tecnologia, telecom e inovação”, afirmou Andre Echeverria, diretor de Inovação e Transformação Digital da Brasscom. “A exportação de serviços nesses segmentos saltou de R$ 0,9 bi (2011) para  R$ 7 bi (2017) e o Brasil vem se consolidando como um dos principais mercados de TI”, disse ele. “Mas é preciso mais investimentos, pois isso tem impacto direto na competitividade do país.”

Carlos Lira, da Embraer, afirmou que o investimento em pesquisa e desenvolvimento promove resultados práticos. Ele conta que a empresa tem mais de 5 mil funcionários em P&D, com o objetivo de aumentar a competitividade da empresa na fabricação e manutenção de aeronaves no país e no exterior. “Hoje estamos presentes nos EUA, na Europa, na Ásia e no Brasil”, diz ele. “Só conseguimos esse resultado aplicando e desenvolvendo serviços de tecnologia.”

Fernando Saraiva, da IHM Stefanini, falou sobre como as tecnologias disruptivas podem transformar o negócio de grandes empresas. Ele citou como exemplo dispensers de papel toalha e papel higiênico que utilizam conectividade IoT para monitorar o consumo dos suprimentos e para disparar pedidos de compra e reposição quando necessário. “A industria 4.0 já está aí, tem um crescimento exponencial, e o Brasil tem muita gente boa fazendo coisa boa, em um ambiente com capacidade tecnológica sem igual. Nós nos habituamos a criar no caos, e as soluções que saem disso são inacreditáveis.”

O tema do quarto painel foi “Médias empresas de engenharia abrindo mercados no exterior e os custos tributários na exportação de serviços”. Paulo Brechbühler, da Brechbühler Consultoria, observou que o Brasil está entre os 14 países que podem competir no mercado de exportação de serviços de engenharia, mas que está em uma espécie de hiato depois dos escândalos envolvendo as grandes construtoras. Ele mostrou ainda a cadeia produtiva de um projeto de engenharia no exterior. “Precisamos colocar mais empresas para exportar se ainda quisermos estar entre os principais exportadores e voltar a gerar empregos”. Estados Unidos, Canadá, América Latina e Caribe, Africa e Oriente Médio estão entre os principais destinos das exportações brasileiras de serviços de engenharia.

Marco Hupe, da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE), diz que a crise no setor de engenharia se deve à quebra no modelo de exportação dos serviços. “Temos que reaprender a vender no exterior, e essa é uma tarefa árdua e demorada”, diz ele.  “Requer recuperar condições de competitividade com outros países (acordos comerciais, protocolos, produtos financeiros, câmbio, seguro, burocracia, logística comercial etc.).”

O consultor diz que o país precisa de melhorias na coordenação das insitutições e ministérios envolvidos no processo e nos investimentos em capacitação, recursos humanos,  tecnologia e infraestrutura para atender mercados outbound e aumento do market share. Ele também observou que as empresas exportadoras precisam aprender a identificar tendências do setor e do mercado e trabalhar para diminuir o efeito cascata de taxas e impostos.

Ana Clarissa Masuko, da Barral M. Jorge Consultores Associados, voltou a ressaltar a participação do setor de serviços no PIB brasileiro – 75,2%. Mas nas exportações, representa apenas 3%. Em sua apresentação sobre tributação, Masuko disse que, na importação de serviços intangíveis, o tributo é de 51,26%, mas que, na exportação, serviços são isentos de ISS, PIS/Cofins, IRRF, Cide, IOF e ICMS. “O problema está na interpretação das normas de imunidade e isenção de serviços que leva muitas empresas a pagar impostos que estariam isentos”, disse ela.

Segundo Masuko, a confusão se deve à definição do conceito de serviço ao longo dos anos. Somente em 2016 os serviços foram conceituados de forma mais ampla, permitindo que mais empresas exportadoras de serviços se enquadrassem na isenção: todo bem incorpóreo, intangível. Os exportadores de serviço, no entanto, esbarram na interpretação da legislação vigente para cada imposto aplicável. “Comércio Exterior de Serviços Abrindo Mercados” é o tema do 9º ENASERV, que teve mais de 800 empresas inscritas este ano.

Fonte: Assessoria de Imprensa

Oi: Depósitos judiciais de R$ 6,3 bilhões “somem” da Oi e empresa é acusada de descontrole

Um novo movimento da Oi chamou a atenção de quem acompanha a conturbada recuperação judicial da companhia. Ao informar que adiaria a divulgação de seu balanço referente a 2017, a empresa anunciou uma “baixa contábil” de R$ 6,3 bilhões em seus ativos, em valores contabilizados como depósitos judiciais. Trocando em miúdos: a operadora divulgava ter R$ 15 bilhões em depósitos, mas agora diz ter notado que são apenas R$ 8,7 bilhões. (mais…)

Camara-e.net cria grupo de trabalho para ampliar debate sobre privacidade de dados no país

A Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) pretende levar questões envolvendo privacidade de dados no Brasil para o centro das discussões do setor. Líder nos debates sobre o tema desde 2009 e com papel preponderante na redação do texto do Marco Civil da Internet, a entidade acaba de criar o Grupo de Trabalho de Privacidade, formado por associados da entidade. (mais…)

Os bônus milionários dos executivos da Oi

oi1Não existe nenhuma guerra empresarial tão grande no Brasil atualmente quanto a da telefônica Oi. Pois a temperatura dessa disputa subiu muito na semana passada com uma notícia-crime, impetrada pelos acionistas minoritários contra a administração da empresa, presidida hoje por Eurico Teles. Com 44 páginas e 400 anexos, a acusação, assinada pelo advogado André Almeida, questiona a distribuição de bônus da ordem de 51 milhões de reais a alguns dos executivos da operadora. De acordo com a denúncia, sem nenhuma comprovação de notas fiscais e contrariando as regras impostas pelo estatuto, Zenial Bava, ex-presidente, recebeu 40 milhões de reais a título de remuneração por resultado. O então diretor de Finanças, Bayard Gontijo, ganhou 8 milhões. O presidente do Conselho, José Augusto da Cunha, ficou com 2 milhões e José Mauro Figueira, secretário do Conselho, com 1 milhão. A ação considera essas somas “desvios de recursos” da companhia.

Fonte: Radar/ VEJA

Aviação executiva deve retomar expansão em 2018

leo6O presidente da TAM Aviação Executiva (TAM AE), Leonardo Fiuza, prevê que o mercado brasileiro de aviação executiva vai voltar a crescer em 2018, após três anos seguidos de retração. O plano da empresa – uma das três maiores do setor, ao lado da mineira Líder Aviação e da paulista Icon Aviation, do empresário Michael Klein -, é diversificar as fontes de receitas para aproveitar essa reação da demanda no país. (mais…)

Pressionado, conselho da Oi deve aprovar mudanças no plano

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O Conselho da Oi está disposto a fazer mudanças que tornem o plano de recuperação judicial da empresa mais palatável aos credores, segundo uma pessoa próxima às discussões. Em reunião nesta quarta-feira, o conselho deve aprovar mudanças que incluem o momento em que uma taxa de adesão será paga aos credores que concordarem em participar do aumento de capital da empresa, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada porque as conversas são privadas.
Mudanças representariam uma vitória para a administração da empresa, a Anatel, credores e o próprio juiz que preside a recuperação judicial, já que todos expressaram o temor de que o pagamento antecipado da taxa de adesão poderia drenar o caixa da empresa, que já está em dificuldades financeiras.

As pressões sobre o conselho da Oi aumentaram no último mês. Após os diretores estatutários da empresa se recusarem a assinar o plano proposto pelo conselho, a Anatel interveio e disse que o PSA (plan support agreement) a ser apresentado aos detentores de dívida precisaria ser previamente aprovado pela agência.
Último elemento a gerar tensão foi o comentário feito pelo juiz que preside a recuperação, de que, caso o conselho continue tentando limitar a habilidade da administração de negociar um plano com os credores de forma a impossibilitar um consenso, ele pode optar por colocar em votação na assembleia o plano proposto pelos credores.
Outra mudança seria que o aumento de capital não mais dependerá da aprovação do conselho.
Uma vez aprovado o plano de recuperação judicial pelos credores, o aumento de capital precisa obrigatoriamente acontecer em até dois anos, mesmo que as condições precedentes – como o julgamento do plano em segunda instância – ainda não tenham sido cumpridas.
O Conselho também vai querer limitar a parcela do aumento de capital que será destinada aos detentores de dívida, disse a
pessoa. No plano atual, os credores podem participar com no mínimo R$ 3,5 bi numa eventual venda de ações da empresa.
Nesta quarta, o conselho deve colocar um teto de R$ 5,5 bi a esse aporte, disse a pessoa.

 

Fonte: Bloomberg