Fique por dentro do que abre e fecha em Petrolina durante o carnaval

A programação do Carnaval de Petrolina 2025 começa neste sábado (1º) e segue até a terça-feira (4). A festa vai alterar o horário de funcionamento de órgãos públicos, comércio e agências bancárias no município. Veja o que vai abrir e fechar durante os dias de festa no município.

Comércio:

O comércio funciona normalmente neste sábado (1º). Já na segunda (3) e na terça-feira (4) de Carnaval não haverá funcionamento, conforme estabelecido na Convenção Coletiva 2024/2025. De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o fechamento nesses dias acontece porque os feriados de Carnaval de 2025 foram trocados pelos feriados do Dia da Consciência Negra (20/11/2024) e Data Magna de Pernambuco (06/03/2025).

Shopping:

O horário de funcionamento do River Shopping será especial na terça (3) e quarta (4): As lojas abrirão das 12h às 20h, enquanto o Carrefour atenderá das 8h às 22h. A praça de alimentação e lazer também estará em pleno funcionamento das 12h às 22h.

Já na quarta-feira de Cinzas, 5 de março, as lojas abrirão mais cedo, das 10h às 22h, mantendo o mesmo horário do Carrefour, das 08h às 22h, e da praça de alimentação e lazer, que funcionará das 10h às 22h.

Serviços públicos municipais:

A Prefeitura de Petrolina decretou ponto facultativo nos órgãos públicos municipais durante o período de Carnaval e na quarta-feira de cinzas, conforme estabelecido pelo Decreto nº 013/2025. Com isso, não haverá expediente na segunda (3), terça (4), quarta (5) e sexta-feira (7). Já na quinta-feira (6), será feriado estadual em razão da Data Magna de Pernambuco. Durante esse período, as creches e escolas municipais também estarão sem aulas.

Os serviços essenciais vão operar normalmente durante a folia, como as equipes de segurança, trânsito e limpeza. Além do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Centro de Parto Normal.

A Policlínica Municipal terá atendimento na segunda (03), terça (04), quarta (05) e sexta-feira (07), das 8h às 14h, sem necessidade de agendamento. Os pacientes receberão atendimento médico, de enfermagem, nebulização, realização de curativos e teste para Covid-19.

A Prefeitura vai disponibilizar diversos serviços de forma on-line, por meio do ‘Petro-online’ pelo link.

Feiras livres:

As feiras estarão funcionando normalmente durante o Carnaval. No sábado (1º), as feiras da Cohab Massangano e Areia Branca começam a receber os clientes a partir das 5h e vão até às 17h.

No domingo (2), as feiras da Areia Branca, Jardim Maravilha (Ouro Preto), São Gonçalo, Pedra Linda, João de Deus, Izacolândia e Nova Descoberta, também funcionarão normalmente, das 5h às 17h.

Na segunda-feira (3), a feira é no José e Maria, que funciona também das 5h às 17h.

Agências bancárias:

Na segunda (3) e terça (4) de Carnaval não haverá atendimento. O serviço retorna na quarta-feira (5), a partir das 12h.

Agência de Trabalho:

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo de Pernambuco (SEDEPE) a Agência do Trabalho do município vai funcionar das 7h às 13h na sexta-feira (28). Já durante o período carnavalesco e o feriado estadual da Data Magna, de 03 a 07 de março a Agência estará fechada e retornará ao horário normal de atendimento na segunda-feira (10).

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Governo central registra superavit de R$ 84,8 bilhões em janeiro, segundo Tesouro

No primeiro mês de 2025, o resultado primário do Governo Central foi superavitário em R$ 84,9 bilhões, registrando um aumento na comparação com janeiro do ano anterior, quando o resultado foi positivo em R$ 79,5 bilhões, a preços correntes. No mesmo período, a receita líquida registrou avanço, em termos reais, de R$ 9,1 bilhões (3,7%), ao passo em que a despesa total teve um aumento de R$ 7,3 bilhões (4,4%), se comparada a janeiro de 2024.

Já o resultado conjunto do Tesouro Nacional e do Banco Central também foi de superavit, desta vez de R$ 104,5 bilhões, ao mesmo tempo em que a Previdência Social (RGPS) registrou deficit de R$ 19,6 bilhões. Na comparação com janeiro de 2024, o resultado primário observado foi causado pelo acréscimo real de 3,7% (R$ 9,1 bilhões) da receita líquida e de aumento em 4,4% (R$ 7,3 bilhões) das despesas totais.

O acréscimo real da receita líquida no primeiro mês do ano, de acordo com o Tesouro, foi resultado da combinação do aumento real de 5,6% das Receitas Administradas pela Receita Federal em 5,6% (R$ 11,5 bilhões), além de quedas de 2,5% das Receitas Não Administradas (-R$ 743,7 milhões) e de 0,9% na Arrecadação Líquida para a Previdência Social (-R$ 479,6 milhões).

Os principais destaques em relação Às receitas administradas se devem ao superavit de R$ 3,0 bilhões do Imposto de Importação, além de resultados positivos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (R$ 2,2 bilhões) e do Imposto de Renda (R$ 2,9 bilhões). Já nas receitas Não Administradas, a Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor, que teve um desemprenho negativo de R$ 1,1 bilhão foi o principal item que impactou o grupo de receitas.

Os números foram divulgados nesta quinta-feira (27/2), em coletiva no Ministério da Fazenda. A secretária adjunta do Tesouro Nacional, Viviane Silva Varga, destacou que o desemprenho é o melhor resultado nominal para janeiro de toda a série histórica.

Já pelo lado dos gastos, os principais responsáveis pelo aumento das despesas foram o acréscimo de R$ 836,6 milhões no apoio financeiro a estados e municípios, além de benefícios previdenciários (+R$ 1,7 bilhão) e os Benefícios de Prestação Continuada (BPC) (+R$ 1,3 bilhão). Também houve aumento de R$ 2,0 bilhões com o Fundef/Fundeb.

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“Nas Despesas do Poder Executivo sujeitas à programação financeira, houve um acréscimo de R$ 1,7 bilhão das Despesas Obrigatórias com Controle de Fluxo, com ênfase na função Saúde (+R$ 2,4 bilhões), e de R$ 1,7 bilhão nas Despesas Discricionárias, principalmente no item Demais Despesas (+R$ 1,5 bilhão)”, complementa, em nota, o Tesouro.

TCU dá prazo de 180 dias para INSS corrigir falhas depois de prejuízo bilionário em pagamentos indevidos do BPC/Loas

O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) determinou nesta quarta-feira (dia 26) que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) adote medidas corretivas em um prazo de 180 dias para solucionar irregularidades que geraram um prejuízo R$ 5 bilhões por ano na concessão e manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas). As perdas, calculadas com base em auditoria feita pelo órgão, foram causadas devido a pagamentos feitos pela autarquia a pessoas que não atendem aos critérios para o recebimento do benefício.

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Entre as providências exigidas estão a revisão dos benefícios acumulados indevidamente e o cancelamento de pagamentos a beneficiários falecidos ou sem cadastro ativo.

A decisão do TCU também inclui a obrigação da autarquia de aprimorar os mecanismos de cruzamento de dados para evitar novas concessões indevidas e adotar soluções tecnológicas que possibilitem a atualização automática de informações cadastrais. O tribunal destacou que a identificação de irregularidades deve ocorrer de forma contínua, com auditorias regulares e a implementação de critérios mais rigorosos para a verificação de renda.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome também foi notificado e recebeu recomendações para aprimorar os processos de análise e fiscalização do BPC/Loas, visando reduzir falhas na concessão e garantir que o benefício alcance apenas aqueles que realmente se enquadram nos critérios de vulnerabilidade social.

“Sobre esse crescimento, os gestores do MDS apontaram como possíveis causas: alteração legislativa que permitiu a concessão de mais de um BPC a membros da mesma família; endurecimento das regras de concessão de aposentadorias e benefícios previdenciários; ampliação do rol de deficiências com a inclusão do autismo; implementação do Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social; aumento real do salário mínimo a partir de 2024; e judicialização crescente das concessões”, diz o ministro em seu voto.

Números da auditoria do TCU

O levantamento identificou que 6,3% dos beneficiários possuem uma renda familiar per capita superior ao limite permitido de um quarto do salário mínimo (R$ 379,50), um dos requisitos para a concessão e manutenção do BPC/Loas. Esse percentual foi estimado por meio do cruzamentos de informações da folha de pagamento do BPC de maio de 2024 com dados coletados em visitas domiciliares realizadas entre julho e agosto de mesmo ano. Nessas verificações com as famílias, foram aplicados questionários sobre renda e composição familiar dos beneficiários, permitindo uma análise mais precisa das inconsistências.

“A auditoria constatou que o BPC tem sido pago a pessoas que não atendem ao critério de renda familiar mensal per capita igual ou inferior a um quarto do salário mínimo, determinado no 3º parágrafo do art. 20 da Loas, ao estimar que 6,3% dos beneficiários estão acima desse limite legal, com uma margem de erro de 1% para mais ou para menos, o que pode custar ao governo cerca de R$ 5 bilhões anualmente em pagamentos indevidos”, diz o relatório do TCU.

Além disso, foram encontrados 6.701 casos de acúmulo indevido de benefícios, prática vedada pela legislação, com impacto financeiro de R$ 113,5 milhões por ano.

Entre as principais causas para esses pagamentos indevidos, o TCU apontou falhas nos controles de composição familiar e na verificação de renda, além de dificuldades no acesso a bancos de dados e atrasos na correção de irregularidades.

A auditoria também constatou que 3.400 benefícios em nome de idosos foram concedidos a pessoas com menos de 65 anos, sendo que 1.114 ainda não atingiram a idade mínima necessária. Houve ainda a identificação de 2.476 beneficiários possivelmente falecidos.

Outra preocupação são as inconsistências cadastrais: cerca de 15,9% dos beneficiários apresentaram endereços incorretos. Outros 15% apresentavam inconsistência nas informações de sua composição familiar. Esses problemas afetam diretamente a fiscalização e podem resultar na concessão indevida do benefício.

Pente-fino do INSS

No ano passado, o INSS identificou pessoas que recebem o BPC/Loas sem inscrição ou com cadastro desatualizado no CadÚnico há mais de 48 meses. Após a constatação, a autarquia realizou um pente-fino, convocando os beneficiários para realizar a inscrição ou a atualização cadastral Centros de Referência de Assistência Social (Cras) das prefeituras.

Desde o início do ano, O BPC/Loas passou por mudanças como parte do pacote de corte de gastos aprovado pelo Congresso Nacional. Desde o início do ano, cadastro biométrico obrigatório e a atualização a cada dois anos do CadÚnico para compartilhamento de informações com órgãos do governo.

O que muda no saque do FTGS e no novo consignado para CLT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está prestes a adotar duas medidas com impacto direto no bolso dos trabalhadores, em um momento que tenta reverter sua queda de popularidade.

A primeira delas poderá injetar R$ 12 bilhões na economia ao destravar o acesso ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de pessoas demitidas desde 2020 que haviam aderido ao saque-aniversário — modalidade que permite sacar anualmente parte do fundo, mas que bloqueia o acesso ao dinheiro no momento da demissão por dois anos.

A previsão é que uma medida provisória para liberar esses recursos seja publicada na sexta-feira (28/2), de acordo com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT).

A segunda medida será a ampliação do crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada — um tipo de empréstimo a juros menores.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a medida provisória com essa novidade sairá depois do Carnaval.

As duas iniciativas são vistas como forma de colocar mais dinheiro na mão dos trabalhadores e movimentar a economia, embora economistas apontem também riscos potenciais de aumento da inflação e endividamento das famílias.

Para o professor de finanças Rafael Schiozer, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), a ampliação do crédito consignado será especialmente positiva se levar à troca de dívidas mais caras por financiamentos mais barato, ajudando as famílias a reduzirem seu endividamento.

Por outro lado, afirma Schiozer, se a facilitação ao acesso ao consignado acabar seduzindo o trabalhador a se endividar mais para consumir no curto prazo, o impacto pode ser negativo ao comprometer sua renda mensal no futuro.

Ele também vê possível impacto na inflação com o aquecimento do consumo, o que pode dificultar o trabalho do Banco Central de conter a alta dos preços por meio do aumento da taxa de juros.

Ainda assim, Schiozer não considera que isso deveria barrar as mudanças.

“O governo não deveria deixar de avançar em reformas microeconômicas positivas [como opções de crédito mais baratas] porque estamos em um momento macroeconômico difícil”, afirma.

A economista Gabriela Chaves, fundadora da plataforma de educação financeira NoFront, considera “natural” que o trabalhador tenha acesso ao FGTS em momentos de perda de poder de compra, com a disparada de preços de alimentos.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio realizada em dezembro, quase 77% das famílias brasileiras têm alguma dívida.

“Existe uma tendência de aumento do endividamento que me preocupa. O crédito é uma solução de curto prazo para um problema bastante complexo”, alerta.

“Enquanto as pessoas não tiverem aumento do poder de compra, elas vão precisar recorrer ao crédito para questões básicas como o supermercado e alimentação. O governo precisa pensar em políticas de aumento do poder de compra.”

Segundo especialistas em inflação de alimentos, as soluções para conter a alta dos preços são de médio e longo prazo, como melhorar a infraestrutura de escoamento e armazenagem da produção agrícola do país e dar mais capacitação a produtores menores.

Pesquisas como Datafolha e Quaest mostram forte queda de popularidade de Lula em 2025

Liberação ‘extraordinária’ do FGTS

O governo Lula diz que a liberação do FGTS vai beneficiar 12,1 milhões de trabalhadores que foram demitidos a partir de 2020 e não tiveram acesso ao fundo porque aderiram à modalidade de saque aniversário.

Essa possibilidade de saque parcial na data de nascimento do trabalhador foi criada no governo de Jair Bolsonaro (PL) — ela permite tanto o saque anual como antecipar valores futuros em operações de crédito cujas parcelas são, depois, descontadas do FGTS.

Por outro lado, o uso dessa modalidade trava o acesso ao FGTS em caso de demissão por dois anos. O trabalhador, nesse caso, só recebe a multa rescisória paga pela empresa, quando há desligamento sem justa causa.

A novidade, porém, só valerá para quem tiver sido demitido até a publicação da medida provisória com as novas regras, prevista para sexta-feira (28/2).

Segundo disse o ministro Luiz Marinho ao jornal O Globo, trata-se de uma medida extraordinária.

A decisão de não tornar a mudança permanente reflete a oposição do setor de construção, já que o FGTS é usado para financiamento imobiliário — ou seja, com mais saques, há menos recurso para financiar a construção de novos empreendimentos.

Entidades como a Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) criticam a possibilidade de saque aniversário e gostariam que ela fosse extinta, mas isso é visto como uma medida impopular.

Já as centrais sindicais criticam o bloqueio ao FGTS na demissão, justamente quando o trabalhador está com mais dificuldades financeiras.

A liberação extraordinária entrará em vigor assim que for publicada a MP pelo governo, mas a previsão é que os recursos travados sejam liberados a partir de março, em até duas parcelas, a depender do volume retido.

Depois, essa MP precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para ter validade definitiva. Mas, durante a tramitação, os parlamentares podem realizar modificações, aprovando regras diferentes da proposta original do governo.

Para Schiozer, não faz sentido travar o saque do trabalhador no momento da demissão, em caso de uso no saque aniversário.

Ele nota que há certa controvérsia sobre a validade do FGTS, já que é uma espécie de poupança forçada do empregado formal.

Por outro lado, ressalta o especialista, estudos internacionais sobre mecanismos similares ao FGTS indicam que há impactos positivos nos momentos de maior vulnerabilidade do trabalhador.

“Não acho contraditório ter as duas opções: que o trabalhador possa sacar parte dessa poupança forçada anualmente e que tenha acesso à [maior parte dessa] poupança quando realmente tem necessidade, que é a razão de ser do FGTS”, avalia Schiozer.

O que deve mudar no consignado para CLT

Haddad diz que ampliação do consigando para trabalhadores CLT será uma ‘revolução’

Outra mudança envolve o crédito consignado, que oferece taxas de juros menores porque representa menos risco para os bancos, já que as parcelas são descontadas direto do salário do devedor.

Atualmente, a modalidade é usada amplamente por servidores públicos e aposentados do INSS.

Já no caso dos trabalhadores formais (CLT), o funcionamento hoje é mais burocrático e acaba dependendo de convênios entre empresas e bancos para facilitá-lo.

A ideia do governo é criar novas regras e mecanismos que permitam que todo trabalhador com carteira assinada tenha acesso mais ágil e fácil a esse crédito.

Em evento em São Paulo na terça-feira (25/2), Haddad disse que a ampliação do consignado será uma “revolução”.

“Temos de folha, de aposentado e servidor público, R$ 100 bilhões. Ele alavanca R$ 600 bilhões de consignado, entre INSS e regime próprio”, destacou Haddad, em conferência organizada pelo banco BTG Pactual, segundo o jornal Estado de S. Paulo.

“No caso do privado celetista, a folha é mais ou menos R$ 100 bilhões, e ele alavanca R$ 40 bilhões. Por quê? Porque não está disponível o mecanismo de garantia, muito burocrático.”

Segundo levantamento do Banco Central junto a 46 instituições financeiras, a taxa de juros cobrada no consignado de trabalhadores privados variou de 21,34% ao ano a 128,35% ao ano em janeiro.

Já a taxa do crédito pessoal não consignado cobrada em 80 bancos variou de 13,98% ao ano a 948,97%, no mesmo período.

Não está claro se a nova modalidade a ser anunciada para o governo terá um limite de juros.

O crédito consignado para aposentados do INSS hoje tem taxa máxima de 1,80% ao mês (24% ao ano), limite fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social.

Cultura em Brasília: acesso aquém do potencial

João Leiva Filho — Doutor em filosofia (Goldsmiths Universidade de Londres), mestre em cinema (ECA/USP) e pesquisador responsável pelo estudo da JLeiva; Ricardo Meirelles — jornalista, mestre em teoria e história literária (Unicamp) e pesquisador responsável pelo estudo da JLeiva

Capital do país, Brasília tem índices de acesso a espetáculos de cinemas (51%), bibliotecas (27%), circo (19%) e saraus (14%) pouco acima da média registrada no conjunto das 27 capitais brasileiras, segundo a pesquisa Cultura nas Capitais, realizada pela JLeiva Cultura & Esporte. O estudo ouviu 19.500 pessoas com 16 anos ou mais entre fevereiro e maio do ano passado, no maior levantamento quantitativo já realizado sobre os hábitos culturais dos moradores de nossas metrópoles.

Uma comparação com a pesquisa anterior da JLeiva, de 2017, feita com apenas 12 capitais, mostra que o acesso a praticamente todas as atividades culturais caiu. Isso vale para cada uma das capitais pesquisadas em 2017 e 2024, incluindo Brasília. Resultado da pandemia da covid-19 — que fechou os espaços culturais por um longo período e mudou os hábitos da população —, a queda no acesso a atividades culturais fora de casa vem se recuperando nos últimos dois ou três anos. O atual patamar, porém, ainda se encontra, em muitos casos, abaixo dos índices registrados antes da crise sanitária, principalmente no caso do cinema.

Em Brasília, um dado chama a atenção. Num total de 14 atividades pesquisadas no levantamento mais recente, os resultados ficaram iguais ou abaixo da média das 27 capitais, com exceção das quatro citadas anteriormente. No estudo de 2017, os números da capital federal só bateram a média nacional em quatro das 12 áreas investigadas (circo, biblioteca, shows de música e festas populares). Em bibliotecas, Brasília registrou o maior nível de acesso em 2017.

Há algumas surpresas aí. A principal é que a capital federal tem índices de escolaridade e renda elevados. Como educação e renda são as variáveis que mais influenciam o acesso a atividades culturais, sejam elas “elitistas”, sejam populares, haveria potencial para Brasília estar acima da média, o que não aconteceu em nenhum dos dois estudos. Os resultados de teatro, museus e espetáculos de dança ficaram abaixo da média tanto em 2017 quanto em 2024.

Como a margem de erro, no caso de Brasília, é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, parte da explicação pode simplesmente estar ligada a esse fator. Mesmo levando isso em conta, porém, o acesso fica aquém do que os níveis de escolaridade e renda fariam supor.

Como um paulistano que estacionou por quatro anos no Rio de Janeiro e um campineiro que ficou 20 anos preso nos congestionamentos de São Paulo, não nos aventuramos em ser taxativos na interpretação desses dados, que certamente não têm uma explicação única. Preferimos ficar no campo das hipóteses. Uma reduzida oferta de equipamentos e programação cultural em algumas áreas, aliada a uma rede precária de transporte público podem contribuir para dificultar o acesso da população a algumas atividades. Os agentes culturais e pesquisadores com conhecimento das dinâmicas de Brasília estão certamente mais preparados para analisar os dados.

O ponto positivo, porém, é que existe um claro potencial de crescimento para atividades como teatro, dança e museus. Uma das perguntas do nosso trabalho pede para os entrevistados darem notas de 0 a 10 para seu interesse em ir a essas manifestações. Chamamos de público potencial aqueles que não foram nos 12 meses anteriores à pesquisa, mas que deram notas entre oito e 10 para seu interesse. No caso das três atividades citadas, haveria potencial de dobrar o público. Para shows de música e festas populares, o potencial seria de um crescimento de cerca de 50%.

Um melhor entendimento das dinâmicas que determinam o acesso ou não da população a atividades culturais, muitas delas financiadas pelo poder público, depende de uma base de dados mais robusta. E também de pesquisas quantitativas e qualitativas sobre como a população se conecta com as atividades culturais, e ainda de mapeamentos que deem uma visão mais granular do conjunto da produção cultural em suas diferentes áreas.

É igualmente importante que os dados sejam analisados e interpretados por pesquisadores, agentes públicos e privados. Só assim, eles se tornarão conhecimento. Para entender melhor os resultados da pesquisa em Brasília, realizada por meio da Lei Rouanet, a JLeiva e o Ministério da Cultura realizam hoje, às 8h30, uma conversa aberta ao público, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados da pesquisa podem ser vistos, e as inscrições (gratuitas), feitas no site www.culturanascapitais.com.br.

Candidatos buscam nomeação de cadastros reservas

Comissões de aprovados pedem a convocação integral do cadastro de reserva de concursos públicos de agências reguladoras realizados no ano passado. Os grupos alegam defict de servidores e contam com o apoio de representantes sindicais, parlamentares, entre outras autoridades competentes. Uma das representantes é Daniela Brito, da Comissão de Aprovados do concurso da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que afirma que, apesar da nomeação dos aprovados, em dezembro de 2024, o quantitativo não supre toda a demanda de pessoal da agência.

Segundo a Anac, atualmente, o total de cargos vagos é de 623, dos quais 201 não providas são para especialista em regulação de aviação civil, área contemplada no último concurso. Ao Correio, a Anac também afirmou que a “agência já solicitou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) a autorização para nomear o percentual de 25% previsto por lei para os excedentes de concurso e ainda para realizar outro certame, contemplando o provimento de outras 256 vagas.”

No entanto, Daniela Brito defende que a nomeação dos 105 aprovados que compõem o cadastro reserva é a opção mais vantajosa no ponto de vista econômico, visto que o custo com o curso de formação é o mesmo se convocado apenas o percentual de 25% dos aprovados nas vagas imediatas, previsto por lei — nesse caso, de 17 candidatos. Ela explica que, para que ocorra o chamamento do cadastro de reserva de forma integral, é necessário o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de um decreto.

A ação é comum, de acordo com a concurseira, e já ocorreu em concursos da Polícia Rodoviária Federal (PF), Receita Federal (RFB) e outros. “Estamos tentando fazer uma articulação junto à Presidência da República, do MGI, do Ministério da Fazenda e do Ministério do Planejamento para conseguirmos o orçamento, bem como a autorização do presidente, necessários para a convocação de todos aprovados”, afirma Daniela.

Ampliação de vagas

De forma semelhante, aprovados nos concursos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) buscam a aprovação de todos os aprovados no último concurso de cada agência. Eles ainda pedem a ampliação ou atualização do quantitativo de cargos dessas agências e apontam uma defasagem no quadro de pessoal.

No caso do concurso da Anatel, a comissão de aprovados alega que a ampliação do quadro de especialistas em regulação de serviços de telecomunicações, cargo contemplado no último concurso do órgão, faz-se necessária visto que, “durante todo o período de transformação digital, a Anatel teve o quadro de pessoal com o mesmo quantitativo”, informou o representante da comissão, Vitor Rodrigues. De acordo com o concurseiro, quadro fixado em 720 especialistas em regulação “hoje não atende às necessidades reais do órgão”. Ele afirma ainda que, “se considerar que as agências geralmente fazem concurso de 10 em 10 anos, a desfasagem do quadro só tende a aumentar.”

Luiz Ricardo Santos, representante da comissão dos aprovados do concurso da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), completa apontando que “a agência já vai fazer 25 anos e não teve nenhuma ação de gestão em relação ao quadro”. Ele também afirma que há dois pedidos da ANA pendentes no MGI de autorização para preenchimento das vagas, frisando que a ampliação de servidores se faz necessária porque, desde a sua criação, em 2000, foram criadas novas atribuições, porém sem reforço de pessoal.

Já os integrantes da comissão do concurso da ANTT apresentam como uma das justificas para a recomposição o aumento de concessões desde que a agência foi criada, em 2004. “Em 2004, a gente teria esse quantitativo que nós temos aprovados em lei agora. Só que o contexto de 2004 é muito diferente. Naquele ano, eram apenas oito concessões rodoviárias e quatro rodoviárias, além de que a abrangência e a complexidade da malha de transporte de passageiros não tinham a complexidade que temos hoje”, conta Paulo Bezerra, presidente da comissão.

Rafhael Carvalho, vice-presidente da comissão, ressalta que o aproveitamento do quadro de cadastro de reserva é uma maneira de equalizar com as outras agências, dado que, de 806 cargos vagos na ANTT, nomearam 50 servidores. Essa nomeação representa uma taxa de 6%, que, se comparada às demais agências, é o menor percentual de vagas preenchidas. Segundo Carvalho, a média de outros órgãos reguladores é de cerca de 20%. Ele cita o caso da ANA, que nomeou 40 servidores — um pecentual de 35% — do total de 114 cargos vagos.

Segundo Ramon Vieira, representante da Comissão de Aprovados do certame da Anvisa, tanto o MGI quanto os ministérios da Saúde (MS) e do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio (MDIC) se manifestaram favoravelmente à criação de novas vagas. Vieira considera a convocação de todos os aprovados “a única forma de repor esse quadro de servidores, que só tem diminuído progressivamente ao longo dos anos”. Ele pontua que, “além de todas as perdas econômicas que o enfraquecimento da Anvisa proporciona, quem sai perdendo, acima de tudo, é a população, que precisa esperar cada vez mais para o lançamento de produtos farmacêuticos no mercado.”

A confusão gerada por e-mail de Elon Musk a todos funcionários públicos dos EUA

Os principais departamentos do governo federal nos Estados Unidos orientaram seus funcionários a não responderem a um e-mail enviado no sábado por Elon Musk, no qual são questionados o que realizaram no trabalho na semana passada.

O e-mail é parte de uma iniciativa de cortar gastos e reduzir o número de funcionários do governo federal. A força-tarefa está sendo liderada pelo bilionário Elon Musk à frente do recém criado Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês).

Musk disse no X que caso os funcionários não respondam ao e-mail até segunda-feira à meia-noite, isso será interpretado como um pedido de demissão. O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não comentou o e-mail.

A reação ao e-mail de Musk foi mista. Alguns departamentos — como o FBI, o departamento de Estado e o Pentágono — estão entre as agências que instruíram seus funcionários a não responderem à mensagem. Alguns departamentos do governo aconselharam os funcionários a cumprirem a ordem. E houve outros que recomendaram esperar por mais orientações antes de responder.

As orientações conflitantes causaram confusão para centenas de milhares de funcionários do governo.

Trump disse, antes do e-mail de Musk, que gostaria de ver o bilionário “mais agressivo” no trabalho

No sábado, Musk havia dito no X que em breve os funcionários do governo federal receberiam um e-mail solicitando informações sobre o que cada um fez na semana passada no trabalho. Em seguida, milhões de funcionários públicos receberam a mensagem.

Em uma cópia do e-mail obtida pela BBC, os funcionários são solicitados a responder explicando suas realizações da semana passada em cinco tópicos — sem divulgar informações confidenciais.

A agência de recursos humanos do governo federal — Office of Personnel Management (OPM, na sigla em inglês) — confirmou que o e-mail é autêntico.

A mensagem não menciona que a pessoa possa ser demitida caso não responda, apesar da afirmação de Musk no X de que “a ausência de resposta será considerada um pedido de demissão”.

O recém-confirmado diretor do FBI, Kash Patel, enviou e-mail à sua equipe no sábado dizendo que eles não deveriam responder à mensagem.

“O pessoal do FBI pode ter recebido um e-mail do OPM solicitando informações”, escreveu Patel em uma mensagem obtida pela rede americana CBS News.

“O FBI, por meio do gabinete do diretor, é responsável por todos os nossos processos de revisão e conduzirá as revisões de acordo com os procedimentos do FBI.”

O departamento de Estado enviou uma mensagem semelhante, dizendo que a liderança responderia em nome da agência.

“Nenhum funcionário é obrigado a relatar suas atividades fora da cadeia de comando do Departamento”, afirma um e-mail de Tibor Nagy, subsecretário interino de gestão.

O Pentágono disse à sua equipe: “Quando e se necessário, o Departamento coordenará as respostas ao e-mail que você recebeu do OPM.”

O Departamento de Segurança Interna e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências deram a seus funcionários instruções semelhantes.

Em um sinal de que o e-mail do OPM pode ter pego muitos de surpresa, uma figura sênior do Departamento de Justiça escreveu à equipe na noite de sábado para dizer: “Relatos da mídia indicam que o e-mail foi distribuído a funcionários em todo o governo federal.”

A mensagem acrescentou que “neste momento, não temos motivos para acreditar que esta mensagem seja spam ou maliciosa”.

Mais tarde, na noite de sábado, um outro e-mail foi enviado esclarecendo que a mensagem do OPM era “legítima” e que “os funcionários devem estar preparados para seguir as instruções conforme solicitado”.

A mensagem do departamento de Justiça veio com um aviso à equipe: “Não inclua nenhuma informação sensível ou confidencial em sua resposta. Caso tenha alguma dúvida sobre o conteúdo de sua resposta, entre em contato com seu supervisor.

“Se recebermos orientação ou informações adicionais, atualizarei todos os funcionários, conforme necessário.”

Agências como o Departamento de Transporte, o Serviço Secreto e a Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura também incentivaram sua equipe a obedecer à ordem de Musk, segundo relatos.

Outros departamentos, incluindo a Agência de Segurança Nacional, o Serviço de Receita Interna (a receita federal americana) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, solicitaram que os funcionários aguardassem mais orientações.

‘Cruel e desrespeitoso’

O OPM não respondeu imediatamente à pergunta da BBC sobre se alguns funcionários poderiam estar isentos de ter que responder ao e-mail.

A Federação Americana de Funcionários do Governo, o maior sindicato que representa funcionários federais, criticou a mensagem como “cruel e desrespeitosa” e ameaçou processar o governo.

Não está claro como o e-mail afetaria os cerca de três milhões de funcionários federais que podem não ter tido acesso aos seus e-mails neste fim de semana.

Outros funcionários do governo, como os do Gabinete de Proteção Financeira do Consumidor, foram colocados em licença no último mês.

A mensagem veio horas depois de Trump elogiar o trabalho de Musk nas redes sociais, acrescentando: “Gostaria de vê-lo ficar mais agressivo”.

Na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados), o integrante democrata do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental criticou o e-mail de Musk em uma carta ao OPM.

Gerry Connolly, da Virgínia, escreveu que a agência deveria “esclarecer imediatamente que a não resposta dos funcionários federais a este e-mail mal elaborada no fim de semana não constitui renúncia”.

“Esta ameaça é ilegal, imprudente e mais um exemplo do caos cruel e arbitrário que Musk está infligindo ao governo do povo e seus dedicados servidores públicos.”

A maioria dos membros republicanos do Congresso tem defendido Musk e seus esforços.

O congressista Mike Lawler, de Nova York, disse à ABC no domingo que os esforços de Musk eram uma “auditoria forense abrangente de todos os departamentos e agências do governo federal”.

Mas o senador John Curtis, um republicano que representa Utah, criticou os métodos de Musk, apesar de ressaltar que apoia o objetivo final do Doge.

“Se eu pudesse dizer uma coisa a Elon Musk, seria: por favor, coloque uma dose de compaixão nisso. Essas são pessoas reais. Essas são vidas reais. Essas são hipotecas [que precisam ser pagas]”, Curtis disse à CBS News.

Plano Safra abre nova crise no governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou ontem que o governo vai editar Medida Provisória (MP) na semana que vem para permitir a retomada das linhas de financiamento com juros subsidiados do Plano Safra, após a suspensão dos empréstimos irritar o agronegócio e abrir nova crise na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que o episódio evidenciou mais uma falha de comunicação do Ministério da Fazenda, como no caso da medida da Receita Federal que afetou a credibilidade do Pix.

O anúncio de Haddad de que a solução viria via MP ocorreu só oito horas após a própria Fazenda dizer que iria consultar o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre alternativas para voltar a oferecer o crédito agropecuário.

A suspensão dos empréstimos com recursos equalizados (mecanismo de subvenção usado para garantir juros mais baratos do que os de mercado) foi anunciada pelo Tesouro Nacional anteontem em ofício a instituições financeiras. O motivo citado foi o atraso na aprovação do Orçamento de 2025 pelo Congresso.

Sem o aval dos parlamentares à peça orçamentária, os gastos do governo ficam limitados a 1/12 avos por mês. Ao mesmo tempo, o aumento da Selic exige mais recursos do Tesouro para equalizar as taxas do programa agropecuário — ou seja, cobrir o custo entre os juros de mercado e a taxa cobrada no Plano Safra.

Risco de pedalada

Em agosto de 2024, quando a proposta orçamentária foi enviada ao Congresso, a Selic estava em 10,75%. Hoje, está em 13,25% ao ano e deve subir. Nesse caso, o governo precisa ajustar a previsão de despesa com os juros subsidiados do programa no Orçamento.

Diante da repercussão negativa, a Fazenda divulgou nota às 7h19 de ontem em que dizia que o governo iria enviar ofício ao TCU para consultar como retomar o pagamento da subvenção sem a aprovação do Orçamento.

Por volta das 15h, Haddad deu nova versão e disse que o governo iria enviar ao Congresso a MP com crédito extraordinário de R$ 4 bilhões para evitar a descontinuidade do programa. O crédito, segundo Haddad, vai ficar dentro do limite de gastos do arcabouço fiscal — normalmente é uma exceção ao teto.

— O presidente (Lula) pediu uma solução imediata para o problema. O fato de não ter o Orçamento aprovado efetivamente coloca problemas na execução orçamentária. Isso poderia comprometer o andamento do Plano Safra, mas, em virtude de uma determinação do presidente da República, estamos editando uma MP abrindo crédito extraordinário para atender as linhas de crédito do Plano Safra — afirmou Haddad, em entrevista convocada de última hora no escritório do Ministério da Fazenda, em São Paulo.

A decisão de lançar a MP, segundo o ministro, foi adotada após conversa com o presidente da Corte de Contas, Vital do Rêgo. Segundo fontes, houve mal-estar na Corte com a consulta anunciada pela Fazenda, especialmente considerando que há poucos dias os ministros refutaram o pagamento do Pé-de-Meia fora do Orçamento.

Além disso, foi aberta auditoria no TCU para avaliar políticas públicas financiadas fora das regras orçamentárias.

Falha de comunicação

Análises preliminares de técnicos do TCU apontaram que pagar a equalização sem previsão orçamentária poderia ser enquadrado como uma espécie de pedalada. Um artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe operação de crédito entre instituição financeira estatal e o ente da federação que a controla. A União tem 50% de participação no Banco do Brasil, que é líder em crédito rural.

— O ministro do TCU deixou claro que, efetivamente, sem essa solução que foi encontrada, não haveria possibilidade do Plano Safra. Então a solução é um crédito extraordinário em valor necessário para que não haja descontinuidade da linha de crédito, algo em torno de R$ 4 bilhões — disse Haddad.

No Palácio do Planalto, a decisão de suspender linhas de financiamento do Plano Safra foi comparada ao episódio da crise do Pix, que gerou desgastes na aprovação de Lula. A exemplo do caso do monitoramento de movimentações financeiras pela Receita, a pasta de Haddad só explicou a medida após repercussão negativa.

A avaliação de interlocutores de Lula é que a Fazenda deveria ter feito anúncio à imprensa antes de enviar o ofício aos bancos. O entendimento é que era preciso responsabilizar o Congresso por não ter votado o Orçamento e não deixar o ônus para o governo.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que assumiu em janeiro, tem pregado em reuniões que o governo deve se antecipar a medidas que possam ter repercussão negativa ou ser distorcidas pela oposição.

“O ministro do TCU deixou claro que, efetivamente, sem essa solução que foi encontrada, não haveria possibilidade do Plano Safra”, disse Fernando Haddad

Setores do governo entendem que a suspensão de linhas do Plano Safra tem potencial de desgaste, embora num grau menor do que o caso do Pix. A medida atinge produtores rurais, que já são majoritariamente opositores do PT.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), principal representante do setor, criticou a suspensão e o planejamento fiscal do governo em nota. “O produtor rural não pode ser prejudicado pelos entraves na aprovação do Orçamento e pela falta de planejamento perante os desafios fiscais enfrentados atualmente. A CNA entende as dificuldades orçamentárias, porém sugere que o governo reveja a decisão e garanta os recursos”, diz a entidade.

A medida foi criticada na bancada ruralista do Congresso. A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) se manifestou, em nota, contra a paralisação das linhas: “Culpar o Congresso Nacional pela própria incapacidade de gestão dos gastos públicos não resolverá o problema. A má gestão impacta no aumento dos juros e impede a implementação total dos recursos necessários”.

Impacto na inflação

Para especialistas, a suspensão dos recursos poderia afetar a produção nas próximas safras, com impacto nos custos pagos pelo agricultor e nos preços ao consumidor. A curto prazo não há essa leitura, pois as áreas já foram plantadas.

— Poderia atrapalhar o plantio das próximas safras, principalmente pequenos e médios produtores, que são mais dependentes do crédito agrícola, e com isso diminuir a oferta de alimentos e provocar subida de preços — ressaltou José Carlos Hausknecht, da MB Agro.

Rodrigo Lima, diretor-geral do Agroícone, avalia que, a longo prazo, o congelamento de linhas de crédito subsidiadas do Plano Safra pode prejudicar investimentos em correção do solo, maquinários, plantios de lavouras permanentes, afetando a produtividade. Isso pode refletir na oferta e no preço dos alimentos.

Tiago Sbardelotto, economista da XP Investimentos, diz que a solução de abrir crédito extraordinário afasta o risco de “pedalada”, ou seja, de bancos financiarem uma política pública, o que corresponderia a uma operação de crédito, algo vedado pela LRF e que foi apontado como pedalada pelo TCU na época da ex-presidente Dilma Rousseff.

— Se o governo incluir o valor no Orçamento depois que for aprovado, ou seja, se não usar o crédito extraordinário para aumentar artificialmente o espaço disponível no limite de despesas, está blindado de questionamentos. Agora, se usar o crédito para reduzir a dotação referente ao Plano Safra no Orçamento, aí poderemos ter algum questionamento sobre desvirtuamento da finalidade do crédito.

Haddad critica vídeo de Nikolas sobre pix: “Fake news de um moleque”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou o vídeo gravado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que fala sobre a possibilidade de o governo federal taxar o pix.

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“Se essa for a crítica que as pessoas vão fazer à Fazenda, estou bem na foto. Quer dizer, uma fake news de um moleque, que, por acaso, é deputado, abalar um governo? Não quero crer que isso seja objeto sério de um ministro de Estado”, afirmou Haddad em entrevista ao portal ICL Notícias.

O vídeo de Nikolas Ferreira foi divulgado em 14 de janeiro como reação aos novos instrumentos da Receita Federal para fiscalizar as transações financeiras dos contribuintes, que passaram a vigorar no início do ano.

Menos de 48 horas depois, a publicação do deputado federal ultrapassou a marca de 300 milhões de visualizações.

A pressão popular fez com que, no dia seguinte à divulgação do vídeo de Nikolas Ferreira, o ministro Haddad anunciasse a revogação das medidas que ampliavam a fiscalização sobre o pix, além de anunciar uma medida provisória para garantir que as transações não seriam tributadas.

Funcionários estaduais do Rio podem acessar informe de rendimentos para Imposto de Renda

A Secretaria estadual da Casa Civil (SECC) do Rio de Janeiro disponibilizou, nesta semana, o Informe de Rendimentos referente ao ano-base 2024 para todos os servidores ativos, inativos e pensionistas especiais, por meio do Portal do Servidor. O documento, que pode ser acessado na área restrita do portal, é necessário para que os servidores possam realizar a declaração do Imposto de Renda de 2025.

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Ao todo, foram gerados 459.597 demonstrativos, abrangendo 201.263 servidores ativos, 165.659 inativos e 92.675 pensionistas. O Informe de Rendimentos contém as informações necessárias para o preenchimento da declaração, e os servidores devem buscar detalhes sobre prazos e regras diretamente no site da Receita Federal, no endereço www.gov.br/receitafederal.

Caso haja dúvidas sobre o documento, os servidores devem procurar o setor de Recursos Humanos do órgão em que estão lotados. Aqueles com vínculos em diferentes instituições precisam se dirigir ao órgão responsável pelo vínculo relacionado à dúvida sobre o Informe.

O Informe de Rendimentos dos aposentados e pensionistas previdenciários será disponibilizado em breve pelo Rioprevidência, que orienta os segurados a acompanharem as informações por meio do site www.rj.gov.br/rioprevidencia.